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Tipos de Terapia: Conheça as Principais Abordagens e Como Escolher a Ideal Para Você

Decidir começar terapia já é um passo importante. Mas, na hora de procurar um profissional, é comum se deparar com uma lista de siglas e abordagens que…

Tipos de Terapia: Conheça as Principais Abordagens e Como Escolher a Ideal Para Você

 


Decidir começar terapia já é um passo importante. Mas, na hora de procurar um profissional, é comum se deparar com uma lista de siglas e abordagens que parecem um idioma à parte: TCC, DBT, terapia humanista, psicodinâmica...

Cada uma dessas abordagens parte de uma forma diferente de entender o sofrimento humano — e, consequentemente, propõe um caminho diferente para lidar com ele. Conhecer as principais linhas ajuda a ter uma conversa mais informada com o profissional que você escolher, além de entender melhor o que esperar das primeiras sessões. Assim como já falamos por aqui sobre hábitos simples que ajudam a cuidar da mente no dia a dia, entender as opções de terapia é outro passo importante para cuidar da saúde mental de forma mais consciente.

Resumo rápido Existem quatro grandes famílias de terapia: a psicodinâmica (explora o inconsciente e o passado), a comportamental (foca em mudar reações e padrões de comportamento), a cognitivo-comportamental (trabalha pensamentos disfuncionais, no curto prazo) e a humanista (parte do autoconhecimento e da aceitação). Muitos terapeutas combinam técnicas de mais de uma linha, e é normal — e saudável — trocar de abordagem até encontrar a que funciona para você.

Terapia psicodinâmica

A terapia psicodinâmica tem raízes na psicanálise, uma abordagem de longo prazo para o cuidado com a saúde mental.

Como funciona

Nessa abordagem, terapeuta e paciente trabalham juntos para explorar a conexão entre o inconsciente e as ações do dia a dia — examinando emoções, relacionamentos e padrões de pensamento que se repetem ao longo da vida. Também é comum revisitar experiências da infância, sonhos recorrentes e memórias marcantes, na busca por entender de onde vêm certos padrões.

Diferente da terapia cognitivo-comportamental, a psicodinâmica costuma ser um processo mais longo. Pesquisas indicam que muitas pessoas continuam apresentando melhora mesmo depois de encerrado o acompanhamento.

Pode ser indicada para: depressão, ansiedade, transtornos alimentares, sintomas somáticos (sinais físicos sem causa orgânica aparente) e transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Terapia comportamental

A terapia comportamental é uma abordagem mais objetiva e focada em ação.

Como funciona

Segundo a teoria comportamental, muitos comportamentos são aprendidos ao longo da vida — e alguns deles acabam gerando sofrimento ou prejudicando o dia a dia. Nessa linha, o foco não está em entender razões inconscientes por trás de determinado comportamento, mas sim em identificar e modificar padrões de resposta que causam distresse.

Algumas técnicas dentro dessa abordagem incluem:

  • Dessensibilização sistemática: combina exercícios de relaxamento com exposição gradual àquilo que causa medo, ajudando a substituir aos poucos a resposta de ansiedade por uma resposta de calma.
  • Terapia de aversão: associa o comportamento que se deseja mudar a algo desconfortável, para ajudar a reduzir esse comportamento.
  • Flooding (inundação): semelhante à dessensibilização sistemática, mas com exposição direta ao medo desde o início, em vez de gradual.

Pode ser indicada para: ansiedade, fobias, transtornos relacionados ao uso de substâncias, TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e comportamentos desafiadores ligados a dificuldades de comunicação ou desafios emocionais.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A TCC é uma das abordagens mais conhecidas e estudadas atualmente. É uma terapia de curto prazo, que soma a ideia da terapia comportamental à investigação de padrões de pensamento disfuncionais.

Como funciona

A lógica por trás da TCC é que certas crenças e formas de interpretar situações da vida podem gerar sofrimento — e esse sofrimento pode contribuir para o surgimento de questões de saúde mental, acontecer junto com elas ou até ser uma consequência de outros problemas já existentes.

Nas sessões, terapeuta e paciente trabalham para identificar esses padrões de pensamento e substituí-los por interpretações mais equilibradas e realistas. Diferente da psicodinâmica, a TCC não dedica muito tempo a eventos passados — o foco está nos sintomas atuais e nas mudanças possíveis a partir de agora.

É comum que a TCC envolva tarefas entre as sessões, como registrar pensamentos negativos em um diário, o que ajuda a reforçar o que foi trabalhado em consultório e aplicar as novas ferramentas no dia a dia.

Variações da TCC

  • Terapia comportamental dialética (DBT): usa técnicas da TCC, mas prioriza a regulação emocional e a aceitação. Foi originalmente criada para o tratamento do transtorno de personalidade borderline, e ajuda a desenvolver habilidades para lidar com situações difíceis.
  • Terapia racional emotiva comportamental (TREC): trabalha para identificar e questionar crenças irracionais que alimentam o sofrimento emocional, substituindo-as por pensamentos mais racionais.
  • Terapia de aceitação e compromisso (ACT): uma das abordagens mais recentes dentro da TCC, baseada em mindfulness. Em vez de tentar suprimir emoções negativas, propõe aceitá-las e aprender a se distanciar de pensamentos pouco úteis.

Pode ser indicada para: transtornos de humor (como depressão e transtorno bipolar), ansiedade e fobias, transtornos alimentares, transtornos relacionados ao uso de substâncias, TOC, insônia e alguns sintomas da esquizofrenia — muitas vezes combinada ao tratamento medicamentoso.

Terapia humanista

A terapia humanista parte da ideia de que cada pessoa é a maior especialista na própria experiência. Em vez de interpretar sentimentos pelo paciente, o terapeuta atua como um guia de apoio ao autoconhecimento.

Como funciona

O foco está em ajudar a pessoa a viver de forma mais plena, sendo mais fiel a si mesma. As sessões costumam ser conduzidas em boa parte pelo próprio paciente, com o terapeuta intervindo para apoiar e, principalmente, escutar de forma ativa.

Um princípio central dessa abordagem é o chamado "olhar positivo incondicional" — a ideia de que o terapeuta acolhe o paciente mesmo quando discorda de algumas escolhas ou pontos de vista. Por isso, costuma ser bastante útil para lidar com julgamentos externos, reais ou percebidos.

Variações da terapia humanista

  • Terapia existencial: aborda temas como liberdade de escolha e responsabilidade pelas próprias decisões, explorando o sentido que diferentes áreas da vida têm para a pessoa.
  • Terapia centrada na pessoa: parte do princípio de que críticas e desaprovação de outras pessoas podem dificultar a autoaceitação. O terapeuta oferece acolhimento, empatia e orientação para apoiar o crescimento pessoal.
  • Gestalt-terapia: olha para conflitos não resolvidos — como questões familiares ou de relacionamento — com foco no momento presente, muitas vezes utilizando dramatização ou visualização como recursos terapêuticos.

Pode ser indicada para: questões de autoestima, dificuldade em lidar com condições de saúde crônicas, efeitos de traumas, depressão, questões de relacionamento, transtornos relacionados ao uso de substâncias e sensação de falta de sentido na vida.

Como escolher a abordagem certa

Com tantas opções, é normal sentir dificuldade para decidir por onde começar. Alguns pontos podem ajudar nessa escolha:

  • Se você já tem um diagnóstico ou suspeita de uma condição específica, vale perguntar ao profissional de saúde qual abordagem costuma trazer melhores resultados para o seu caso.
  • Lembre-se de que muitos terapeutas combinam técnicas de diferentes linhas, ajustando a abordagem conforme a necessidade de cada pessoa ao longo do processo.
  • É normal experimentar e trocar. Começar com uma abordagem, perceber que não está funcionando e migrar para outra faz parte do processo — não é fracasso, é ajuste.
  • A relação com o terapeuta importa tanto quanto a técnica. Sentir-se à vontade, respeitado e não julgado é um dos fatores mais associados ao sucesso da terapia, independentemente da abordagem escolhida.

Antes de marcar a primeira sessão, também vale refletir sobre alguns pontos práticos: quais questões você quer trabalhar, se há alguma preferência quanto ao perfil do profissional, qual valor cabe no seu orçamento e em quais dias e horários a terapia se encaixa na sua rotina.

Considerações finais

Não existe uma abordagem "melhor" de forma absoluta — existe a abordagem mais adequada para o momento, a questão e a pessoa em questão. Conhecer essas diferenças ajuda a chegar à primeira sessão com mais clareza sobre o que esperar, e também dá mais segurança para trocar de terapeuta ou de abordagem, se for necessário, até encontrar o que realmente faz sentido para você.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde mental.


Referências

  • American Psychological Association (APA) — Understanding psychotherapy and how it works
  • Cleveland Clinic — Types of Therapy
  • Mayo Clinic — Psychotherapy: Overview

Conteúdo educativo. Não substitui orientação, diagnóstico ou tratamento realizado por profissionais de saúde.