A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que os sintomas precisem ser simplesmente suportados.
Ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, mudanças de humor, ressecamento vaginal e outros sintomas podem afetar a rotina e a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, a medicina vem ampliando as possibilidades de tratamento para diferentes perfis de mulheres.
Nos últimos anos, também houve mudanças importantes na forma como os médicos avaliam a terapia hormonal da menopausa. O tratamento não é indicado para todas, mas a decisão pode considerar idade, momento da menopausa, sintomas, histórico de saúde, tipo de hormônio, dose e via de administração.
O que acontece durante a menopausa?
A menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem menstruar. Ela está relacionada à redução da função dos ovários e da produção de hormônios como estrogênio e progesterona.
A transição, porém, pode começar anos antes.
Durante o climatério, algumas mulheres podem apresentar:
ondas de calor;
suor noturno;
dificuldade para dormir;
alterações de humor;
irritabilidade;
ressecamento vaginal;
desconforto nas relações sexuais;
alterações urinárias;
redução da energia;
mudanças na memória e concentração.
A intensidade e a duração dos sintomas variam bastante entre as mulheres.
A terapia hormonal continua sendo uma opção?
Sim.
A FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reconhecem que a terapia hormonal pode ser uma opção eficaz para mulheres adequadamente selecionadas, desde que não existam contraindicações e haja acompanhamento médico.
Ela pode melhorar principalmente sintomas vasomotores, como ondas de calor e suor noturno, além de apresentar benefícios para a saúde óssea em determinadas mulheres.
Isso não significa, entretanto, que toda mulher na menopausa precise usar hormônios.
A decisão deve ser individualizada.
O momento de iniciar o tratamento faz diferença?
Esse é um dos pontos importantes das recomendações atuais.
As diretrizes brasileiras discutem uma chamada “janela de oportunidade”, especialmente para mulheres sintomáticas sem contraindicações. O início da terapia hormonal nos primeiros anos após a menopausa pode apresentar uma relação benefício-risco mais favorável em determinados perfis.
Isso não significa que uma mulher fora desse período esteja automaticamente impedida de receber tratamento.
A avaliação deve considerar idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico e fatores individuais de risco.
Quais são as principais opções de tratamento?
Uma das principais mudanças no cuidado da menopausa é justamente a possibilidade de escolher diferentes estratégias conforme os sintomas e as características de cada mulher.
Terapia hormonal sistêmica
A terapia hormonal pode utilizar diferentes hormônios, doses e formas de administração.
É considerada uma das abordagens mais eficazes para sintomas vasomotores quando existe indicação.
A escolha da formulação e da via deve levar em conta as características e os riscos individuais.
Terapia hormonal local
Quando os principais sintomas estão relacionados à região genital e urinária, existem opções de tratamento local.
Ressecamento vaginal, desconforto nas relações e determinados sintomas geniturinários podem ser abordados dessa maneira, conforme avaliação profissional.
Tratamentos não hormonais
Nem toda mulher pode ou deseja utilizar terapia hormonal.
Existem alternativas não hormonais para determinados sintomas. A escolha depende do problema predominante, das condições de saúde e das características individuais.
Por isso, não é recomendado escolher medicamentos por conta própria.
E os sintomas vaginais?
Esse é um aspecto que muitas vezes recebe menos atenção.
Ressecamento vaginal e outros sintomas geniturinários podem continuar mesmo quando as ondas de calor diminuem.
Dependendo da situação, podem ser utilizados hidratantes vaginais, lubrificantes e tratamentos específicos, incluindo opções hormonais locais quando indicadas.
Esses sintomas não precisam simplesmente ser aceitos como uma consequência inevitável do envelhecimento.
Alimentação e atividade física também fazem parte do cuidado?
Sim.
Embora hábitos saudáveis não substituam automaticamente tratamentos indicados para sintomas importantes, eles fazem parte de uma abordagem ampla durante o climatério e a menopausa.
O Ministério da Saúde destaca a importância de uma alimentação equilibrada e da prática regular de atividade física.
A atividade física também pode contribuir para a saúde cardiovascular, manutenção da massa óssea, condicionamento físico e bem-estar.
Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também faz parte dos cuidados gerais com a saúde.
E a saúde dos ossos?
A redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa está relacionada a alterações na saúde óssea.
Por isso, a prevenção da perda de massa óssea é uma parte importante do acompanhamento.
A terapia hormonal pode contribuir para a prevenção da perda óssea em mulheres adequadamente selecionadas.
Mas alimentação adequada, atividade física e avaliação individual do risco de osteoporose também são importantes.
A terapia hormonal protege o coração?
Esse assunto exige cuidado.
As diretrizes brasileiras consideram o momento de início da terapia hormonal e o perfil individual da mulher ao avaliar seus possíveis benefícios e riscos cardiovasculares.
Isso não significa que a terapia hormonal deva ser iniciada simplesmente para prevenir doenças cardiovasculares.
A indicação deve considerar sintomas, idade, tempo desde a menopausa e fatores de risco individuais.
Quem não deve usar terapia hormonal?
A terapia hormonal possui contraindicações e situações que exigem avaliação especialmente cuidadosa.
Histórico de determinados tipos de câncer, doenças cardiovasculares, trombose, problemas hepáticos e sangramento vaginal sem diagnóstico estão entre as situações que podem impedir ou modificar a indicação.
Por isso, não é seguro iniciar hormônios por conta própria.
E os implantes hormonais?
Esse é um tema que merece atenção.
FEBRASGO e SBEM já alertaram que atualizações nas informações sobre terapia hormonal não representam autorização para uso indiscriminado de hormônios ou para tratamentos sem comprovação adequada.
Também é importante não confundir terapias hormonais aprovadas e estudadas com produtos manipulados ou tratamentos divulgados comercialmente sem evidências suficientes.
Uma tendência nas redes sociais não necessariamente representa um tratamento comprovado.
O que mudou nos tratamentos da menopausa?
A principal mudança não está necessariamente em um único medicamento novo.
O que mudou é a compreensão sobre como os tratamentos devem ser avaliados.
Durante muito tempo, informações sobre determinados riscos fizeram com que muitas mulheres e profissionais encarassem a terapia hormonal com grande receio.
As evidências e recomendações mais recentes reforçam uma abordagem mais individualizada.
Para mulheres adequadamente selecionadas, a terapia hormonal pode ser uma opção eficaz. Ao mesmo tempo, ela não deve ser utilizada indiscriminadamente.
Menopausa não precisa ser tratada da mesma maneira para todas
Uma mulher com ondas de calor intensas pode precisar de uma estratégia diferente daquela que apresenta principalmente ressecamento vaginal.
Outra pode ter contraindicação à terapia hormonal e precisar de alternativas não hormonais.
Também existem mulheres que apresentam poucos sintomas e não necessitam de tratamento medicamentoso.
Por isso, não existe uma única “melhor terapia para a menopausa”.
Existe o tratamento mais adequado para cada mulher, considerando sintomas, momento da vida, histórico e riscos.
Quando procurar ajuda?
Se os sintomas da menopausa estiverem prejudicando o sono, trabalho, atividade física, relacionamentos ou qualidade de vida, vale procurar orientação profissional.
Não é necessário esperar que os sintomas se tornem insuportáveis.
Uma consulta pode ajudar a identificar o que realmente está relacionado à transição menopausal e discutir as opções disponíveis.
Também é importante manter o acompanhamento ginecológico regular.
A medicina avançou, mas a avaliação individual continua fundamental
Os tratamentos para a menopausa evoluíram, e a compreensão sobre terapia hormonal também mudou.
Hoje, as evidências brasileiras reforçam que mulheres sintomáticas, sem contraindicações e dentro de determinados perfis podem se beneficiar da terapia hormonal.
Ao mesmo tempo, existem alternativas não hormonais e tratamentos locais para diferentes sintomas.
O mais importante é não transformar nenhuma dessas opções em uma solução universal.
Menopausa não é uma doença, mas seus sintomas podem e devem ser tratados quando prejudicam a qualidade de vida.
E a melhor escolha é aquela feita com informação, avaliação individual e acompanhamento profissional.
Referências qualificadas
1. FEBRASGO — Esclarecimento sobre terapia hormonal da menopausa
https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2284-esclarecimento-da-febrasgo-sobre-a-retirada-dos-alertas-das-bulas-de-terapia-hormonal-da-menopausa
2. FEBRASGO e SBEM — Nota conjunta sobre terapia hormonal
https://www.febrasgo.org.br/noticia/nota-conjunta-a-populacao-febrasgo-e-sbem/
3. FEBRASGO — Diretriz Brasileira sobre Climatério e Menopausa
https://www.febrasgo.org.br/images/pec/posicionamentos-febrasgo/DIRETRIZ-CLIMATERIO-e-MENOPAUSA_portugues_10052024.pdf
4. FEBRASGO — Menopausa: Abra o Leque da Informação
https://www.febrasgo.org.br/campanhas-informativas/menopausa-abra-o-leque-da-informacao/
5. FEBRASGO — Cuidado integral das mulheres no climatério
https://www.febrasgo.org.br/noticia/62o-cbgo-o-cuidado-integral-das-mulheres-no-climaterio-parte-2/
6. Ministério da Saúde — Menopausa e climatério
https://bvsms.saude.gov.br/menopausa-e-climaterio/
7. Ministério da Saúde — Menopausa e terapia hormonal
https://bvsms.saude.gov.br/?p=11875
8. Ministério da Saúde — Saúde da Mulher
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/notas-tecnicas-e-informativas
9. FEBRASGO — Menopausa normal e induzida
https://www.febrasgo.org.br/noticia/menopausa-normal-e-induzida-ha-diferencas-se-sim-quais-sao-elas/
10. FEBRASGO — Terapêutica hormonal: benefícios, riscos e regimes terapêuticos
https://www.febrasgo.org.br/images/pec/anticoncepcao/n57---G---Teraputica-hormonal-benefcios-riscos-e-regimes-teraputicos.pdf