Saúde

Alzheimer: quais são os primeiros sinais que merecem atenção?

Esquecer onde colocou as chaves, repetir uma pergunta ou precisar de alguns segundos para lembrar o nome de alguém pode acontecer com qualquer pessoa. Mas…

Alzheimer: quais são os primeiros sinais que merecem atenção?


Esquecer onde colocou as chaves, repetir uma pergunta ou precisar de alguns segundos para lembrar o nome de alguém pode acontecer com qualquer pessoa. Mas quando mudanças na memória e em outras capacidades cognitivas começam a interferir na rotina, vale prestar atenção.

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória e outras funções cognitivas. Seus sinais não aparecem necessariamente da mesma maneira em todas as pessoas e, principalmente, um esquecimento isolado não significa que alguém tenha Alzheimer.

O mais importante é observar mudanças persistentes em relação ao funcionamento habitual da pessoa.

O que é Alzheimer?

A doença de Alzheimer provoca alterações progressivas no cérebro que comprometem redes responsáveis pela memória, linguagem, orientação, raciocínio e outras funções cognitivas.

As alterações biológicas da doença podem começar antes que os sintomas sejam claramente percebidos. Por isso, atualmente, a compreensão do Alzheimer vai além da simples observação da perda de memória. Biomarcadores podem identificar alterações relacionadas à doença, mas seu uso deve ser orientado por avaliação clínica e profissional adequada. (PubMed Central (PMC))

No Brasil, recomendações da Academia Brasileira de Neurologia destacam que a investigação deve considerar não apenas a cognição, mas também o comportamento e a capacidade funcional da pessoa. (SciELO)

INFORMAÇÃO IMPORTANTE: esquecer ocasionalmente uma informação não significa ter Alzheimer. O sinal que merece mais atenção é uma mudança persistente e progressiva que começa a prejudicar atividades do cotidiano.

1. Esquecer informações que acabou de aprender

Um dos sinais mais conhecidos é a dificuldade crescente para guardar informações recentes.

A pessoa pode perguntar várias vezes a mesma coisa, esquecer uma conversa que acabou de acontecer ou depender cada vez mais de anotações e lembretes para tarefas que antes realizava sem dificuldade.

A diferença importante está na frequência e no impacto na rotina. Pequenos lapsos ocasionais são comuns. Já uma dificuldade que se repete e parece estar aumentando merece avaliação.

2. Repetir perguntas ou histórias com frequência

Repetir uma história de vez em quando é normal. O problema aparece quando a pessoa passa a repetir perguntas ou relatos pouco tempo depois, aparentemente sem lembrar que já havia falado sobre aquilo.

Esse comportamento pode ser particularmente perceptível para familiares e pessoas próximas.

3. Dificuldade para realizar tarefas conhecidas

Outro sinal possível é começar a apresentar dificuldade para executar atividades que sempre fizeram parte da rotina.

Isso pode incluir problemas para organizar uma receita habitual, lidar com contas, utilizar um aparelho conhecido ou seguir etapas de uma tarefa que anteriormente era realizada automaticamente.

A questão não é simplesmente aprender algo novo. É perder progressivamente uma habilidade que já era familiar.

4. Dificuldade para encontrar palavras

Alterações na linguagem também podem aparecer.

A pessoa pode ter dificuldade frequente para encontrar palavras conhecidas, substituir termos por expressões vagas ou perder o fio de uma conversa.

É normal esquecer ocasionalmente uma palavra e lembrá-la depois. O alerta aumenta quando essa dificuldade se torna frequente e começa a comprometer a comunicação.

5. Perder-se em lugares conhecidos ou ter dificuldade com orientação

Alterações de orientação espacial e temporal também podem acontecer.

A pessoa pode ter dificuldade para lembrar onde está, confundir datas ou apresentar problemas para chegar a lugares que conhece bem.

Esse tipo de mudança merece atenção principalmente quando representa algo novo para aquela pessoa.

6. Dificuldade para organizar ou tomar decisões

O Alzheimer pode afetar funções executivas, que envolvem planejamento, organização, raciocínio e tomada de decisões.

Na prática, isso pode aparecer como dificuldade incomum para organizar compromissos, administrar tarefas domésticas ou lidar com situações que anteriormente eram simples.

Nem toda dificuldade de organização significa doença. Estresse, privação de sono, depressão, ansiedade, medicamentos e outras condições também podem afetar a capacidade de concentração e planejamento.

7. Mudanças de comportamento e personalidade

Alterações cognitivas não são necessariamente os únicos sinais.

Mudanças persistentes de comportamento, apatia, irritabilidade, desconfiança ou perda de interesse por atividades habituais podem acompanhar algumas formas de comprometimento cognitivo.

Essas alterações precisam ser analisadas dentro do contexto geral da pessoa e não devem ser interpretadas isoladamente como sinal de Alzheimer.

8. Dificuldade para lidar com dinheiro e atividades do dia a dia

Uma mudança importante pode aparecer em tarefas que exigem atenção, planejamento e julgamento.

Erros incomuns com pagamentos, dificuldade crescente para administrar contas ou problemas para organizar compromissos podem ser sinais de que algo mudou na capacidade funcional.

Esse aspecto é importante porque a avaliação de uma possível demência considera justamente o impacto das alterações cognitivas na vida cotidiana. As diretrizes americanas mais recentes recomendam uma avaliação estruturada que considere cognição, comportamento e funcionamento diário. (PubMed)

Esquecimento normal ou sinal de alerta?

Essa é uma das principais dúvidas quando o assunto é Alzheimer.

Com o envelhecimento, podem ocorrer lapsos de memória. Às vezes, uma pessoa demora para lembrar um nome, esquece onde deixou um objeto ou precisa de mais tempo para recordar uma informação.

Isso não significa necessariamente doença.

O que chama mais atenção é quando existe declínio em relação ao funcionamento anterior, especialmente quando a alteração é progressiva e começa a interferir nas atividades do cotidiano.

As recomendações brasileiras para diagnóstico de Alzheimer destacam a importância de avaliar diferentes domínios cognitivos e também a funcionalidade, em vez de basear a investigação apenas em uma queixa de memória. (SciELO)

Quando é importante procurar avaliação?

Se uma pessoa percebe mudanças persistentes na memória, linguagem, orientação, comportamento ou capacidade de realizar tarefas habituais, vale conversar com um profissional de saúde.

A avaliação pode envolver entrevista clínica, histórico médico, exame físico e neurológico, testes cognitivos e, quando indicado, exames complementares.

As diretrizes brasileiras de 2024 sobre biomarcadores reforçam que a avaliação clínica estruturada deve vir antes da solicitação desses exames. Biomarcadores não devem ser utilizados indiscriminadamente, especialmente em pessoas sem sintomas ou apenas com queixas subjetivas sem alterações demonstradas em avaliação. (PubMed Central (PMC))

Por isso, não é recomendável tentar confirmar ou descartar Alzheimer por meio de um teste isolado encontrado na internet.

Existe diferença entre comprometimento cognitivo e demência?

Sim.

Uma pessoa pode apresentar algum grau de declínio cognitivo sem que isso signifique necessariamente demência. O comprometimento cognitivo leve, por exemplo, pode envolver alterações mensuráveis na cognição, mas a independência nas atividades cotidianas pode estar relativamente preservada.

Já na demência, as alterações cognitivas passam a interferir de maneira significativa na vida diária.

Essa distinção é importante porque o diagnóstico não depende apenas de uma pontuação em teste de memória. É necessário analisar o conjunto de sintomas, a evolução e o impacto funcional.

O que fazer diante de uma suspeita?

O primeiro passo é não entrar em pânico.

Esquecimento pode ter diversas causas. Distúrbios do sono, depressão, ansiedade, determinados medicamentos, alterações metabólicas e outras condições podem produzir sintomas que precisam ser investigados.

Se houver uma mudança persistente, o ideal é procurar avaliação profissional.

Também pode ser útil anotar quando os sintomas começaram, quais situações estão acontecendo e se houve mudança progressiva. Essas informações ajudam a reconstruir a evolução do quadro durante a consulta.

E cuidar do cérebro envolve mais do que observar a memória. No VitaCerta, já mostramos como atividades intelectuais podem estimular diferentes processos cerebrais. Você pode entender melhor essa relação na matéria “Seu cérebro trabalha muito quando você lê: entenda o que a ciência descobriu”, que aborda a relação entre leitura e funcionamento cerebral.

Alzheimer tem prevenção?

Ainda não existe uma forma garantida de impedir o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Entretanto, diversos fatores relacionados à saúde cerebral e cardiovascular são estudados como possíveis elementos modificáveis do risco de demência. Manter atividade física regular, controlar fatores de risco cardiovascular, não fumar, ter alimentação adequada, dormir bem e manter uma vida social e intelectualmente ativa fazem parte de uma abordagem geral de cuidado com a saúde.

Isso não significa que esses hábitos garantam que uma pessoa não desenvolverá Alzheimer. A doença resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo idade, genética e outros elementos biológicos e ambientais.

Perguntas frequentes

Todo esquecimento é sinal de Alzheimer?

Não. Esquecimentos ocasionais podem acontecer normalmente. O que merece investigação é uma mudança persistente, progressiva e que começa a interferir na rotina.

Alzheimer começa sempre com perda de memória?

Não necessariamente. A apresentação mais comum envolve alterações de memória, mas existem formas atípicas que podem começar principalmente com alterações de linguagem, funções executivas ou habilidades visuoespaciais. (SciELO)

Uma pessoa jovem pode ter Alzheimer?

É possível, embora a idade seja um dos principais fatores de risco. Casos de início precoce existem e precisam de avaliação médica adequada.

Existe exame que confirma sozinho o Alzheimer?

Não se deve interpretar um exame isoladamente. A avaliação clínica é fundamental. Biomarcadores podem contribuir para a investigação em situações específicas, mas seu uso deve ser feito por profissionais capacitados. (PubMed Central (PMC))

Qual profissional pode investigar problemas de memória?

A investigação pode envolver profissionais como neurologista, geriatra ou psiquiatra, dependendo do caso. A avaliação inicial também pode começar na atenção primária e ser encaminhada quando necessário.

Alzheimer e demência são a mesma coisa?

Não. Demência é uma síndrome caracterizada por comprometimento cognitivo que interfere na vida diária. A doença de Alzheimer é uma das principais causas de demência.

Conclusão

Os primeiros sinais de Alzheimer nem sempre aparecem como um grande esquecimento. Muitas vezes, a mudança começa de maneira discreta: perguntas repetidas, dificuldade para realizar tarefas conhecidas, problemas para encontrar palavras, alterações na orientação ou dificuldade crescente para organizar atividades.

O ponto mais importante é observar mudanças persistentes em relação ao funcionamento habitual da pessoa.

Um sinal isolado não permite diagnosticar Alzheimer. Mas mudanças progressivas que afetam a vida cotidiana merecem ser investigadas.

Quanto antes uma alteração cognitiva persistente for reconhecida e avaliada, maior a oportunidade de identificar sua causa, orientar a pessoa e a família e planejar os cuidados adequados.

Referências científicas

Schilling LP et al. Diagnóstico da doença de Alzheimer: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dementia & Neuropsychologia, 2022. (SciELO)

Studart-Neto A et al. Guidelines for the use and interpretation of Alzheimer’s disease biomarkers in clinical practice in Brazil. Dementia & Neuropsychologia, 2024. (PubMed Central (PMC))

Atri A et al. Alzheimer's Association clinical practice guideline for the diagnostic evaluation of suspected Alzheimer's disease and related disorders. Alzheimer's & Dementia, 2025. (PubMed)

Dickerson BC et al. Alzheimer's Association clinical practice guideline for diagnostic evaluation of suspected Alzheimer's disease and related disorders — specialty care. Alzheimer's & Dementia, 2025. (PubMed)

Jack CR Jr et al. Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer's disease: Alzheimer's Association Workgroup. Alzheimer's & Dementia, 2024. (PubMed)

Conteúdo educativo. Não substitui orientação, diagnóstico ou tratamento realizado por profissionais de saúde.